A escala dos ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral - que lhe deu a vitória em 2018 - aumenta dia após dia. Agora, com a companhia de ameaças de militares à ordem democrática. No muro de contenção: o eleitor, que nas pesquisas de opinião rejeitam o governo, e o Congresso, que perderia poder em uma ditadura.

O presidente atenta sem trégua contra o sistema de votação que lhe deu a vitória em 2018. E agora também militares lançam ameaças de ruptura da ordem democrática. Para Bolsonaro, eleição em 2022 “é só o plano B”, afirma o sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista da Folha de S. Paulo. Falta, no entanto, combinar com muita gente. Começando pelo eleitor -- segundo o Datafolha, a maioria enxerga corrupção no Ministério da Saúde e rejeita a presença de integrantes das Forças Armadas no governo. A ofensiva do comando contra a CPI não resolve esse problema, lembra Celso. No caso do Congresso, outra ponderação: o poder dos parlamentares “deriva inteiramente das instituições democráticas". “Eles podem brincar de muita coisa, não de ditadura". Na conversa com Renata Lo Prete, Celso diz ainda que Supremo TSE precisam matar no nascedouro a campanha dos bolsonaristas pela impressão do voto, para não tratar como debate de mérito algo que tem sentido exclusivamente golpista.

O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Isabel Seta, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Giovanni Reginato. Neste episódio colaboraram também: Gabriel de Campos e Ana Flávia Paula. Apresentação: Renata Lo Prete.



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